Actividades

Curso · Online, ao vivo

A Vida como Sonho

Um percurso de investigação sobre a vida como sonho, entre filosofia e experiência

Autoria

Paulo Borges + Daniela Velho

Quando

Inicia a 28 de Outubro de 2026

Horário

Uma quarta-feira por mês, 19:00 – 22:00

Lugar

Online, com sessões gravadas no Espaço Visão Pura

Lua fina num céu crepuscular entre ramos, imagem do curso A Vida como Sonho

Durante dez meses contemplamos a vida como sonho, olhando mais fundo para aquilo que tomamos como sólido e real.

Vivemos muitas vezes a partir das histórias que fazemos sobre nós próprios, sobre os outros e sobre o mundo. Algumas tornam-se tão familiares que deixamos de as reconhecer como construções e passamos simplesmente a tomá-las por realidade.

A Vida como Sonho nasce do desejo de investigar este território. O que muda quando começamos a olhar para a experiência como algo menos sólido do que parece? O que podemos descobrir quando observamos mais de perto a forma como percebemos, imaginamos e damos sentido ao que vivemos?

Ao longo de dez meses, o percurso aproxima a experiência da vigília e a do sonho nocturno e investiga questões como a formação da identidade, a relação entre corpo e imaginação, a impermanência e a morte. Reconhecer a vida como sonho torna-se aqui uma possibilidade de investigação e prática, uma forma de olhar de novo para aquilo que habitualmente tomamos como fixo.

Filosofia, meditação e experiência encontram-se ao longo deste percurso. Há espaço para conhecer diferentes perspectivas e para as investigar directamente na própria vida.

Um convite a despertar dentro da experiência

Reconhecer a vida como sonho atravessa diferentes tradições filosóficas e contemplativas e aparece também na literatura e na reflexão contemporânea sobre a consciência.

O interesse deste percurso está em aproximar essas perspectivas da experiência concreta. Investigar os sonhos nocturnos pode ajudar-nos a questionar a solidez da experiência acordada. Observar como construímos uma identidade pode revelar até que ponto aquilo a que chamamos ‘eu’ está continuamente a formar-se. O corpo oferece outra entrada directa para perceber como o mundo é vivido antes de ser explicado.

O convite é a desenvolver lucidez dentro da própria experiência, sem procurar uma resposta única sobre aquilo que a vida é.

Em cada encontro

Cada encontro é conduzido por Paulo Borges e Daniela Velho, a partir de abordagens que se encontram e se complementam.

Paulo parte da filosofia, das tradições espirituais, da literatura e da prática contemplativa, trazendo diferentes formas de investigar a vida como sonho.

Daniela parte da experiência directa, da meditação e da investigação somática, aprofundando a forma como percepção, emoção e identidade se constroem no corpo e na vida quotidiana.

As duas abordagens atravessam o encontro e dialogam entre si. O último encontro é dedicado à integração do percurso.

Programa

Dez encontros mensais, numa quarta-feira por mês, das 19:00 às 22:00. Cada encontro abre-se com uma pergunta orientadora.

  1. 0128 de OutubroA vida como sonho: começar a reconhecer o sonho acordado

    Paulo Borges

    O que significa e quais as implicações de ver e experimentar a Vida como Sonho? A construção inconsciente do que chamamos “realidade”, mediante os conceitos inerentes às línguas em que pensamos. A identidade narrativa e a criação do eu-ego. A vida como “sonho acordado” (Nietzsche). O sonho e o Despertar.

    Daniela Velho

    Sonhos acordados: narrativas, emoções, identidade e percepção

    A integração experiencial começa pelos sonhos que vivemos acordados: narrativas internas, atmosferas emocionais, padrões repetidos e identidades antigas que moldam a forma como percebemos e respondemos à vida.

    Que sonhos estou a tomar por realidade na minha vida?

  2. 0225 de NovembroO tempo do sonho: mito, origem, natureza e metamorfose

    Paulo Borges

    O Tempo do Sonho nas culturas indígenas australianas e americanas. Identidade, metamorfose e reactualização ritual do tempo mítico das origens. O perspectivismo ameríndio.

    Daniela Velho

    Eco-sonho: a natureza como campo vivo de lucidez

    A integração experiencial abre o sonho à dimensão da natureza, convidando-nos a senti-la como campo de relação, símbolo, espelho e consciência.

    E se a natureza não estivesse fora de nós, mas fosse parte do sonho vivo onde a consciência se reconhece?

  3. 0316 de DezembroMaya: véu, jogo divino e sonho da percepção

    Paulo Borges

    Realidade, ignorância e ilusão nos Upanishades e no Vedanta indianos. Maya como jogo divino, lîla e metamorfose; maya como ilusão da mente e dos sentidos. O mundo como o sonho de Vishnu na mitologia indiana.

    Daniela Velho

    Imaginação contemplativa e mundos criados pela mente-corpo

    A imaginação contemplativa como faculdade profunda da consciência: não fantasia evasiva, mas capacidade de criar imagens, atmosferas, mundos internos e possibilidades.

    Que mundo estou a criar com aquilo em que acredito, imagino e alimento?

  4. 0420 de JaneiroBudismo, yoga do sonho e lucidez nocturna

    Paulo Borges

    Consciência desperta e ignorância no budismo indiano. O sonho como uma das oito metáforas da ilusão. Introdução teórica ao tema do sono e sonho lúcido.

    Daniela Velho

    Sonho lúcido como treino de reconhecimento

    No sonho nocturno, a prática é reconhecer: “Estou a sonhar.” Na vida diária, a prática torna-se semelhante: reconhecer que estamos dentro de uma emoção, de uma narrativa, de uma personagem ou de uma experiência construída.

    Como podemos treinar a lucidez no sonho para viver com mais lucidez acordados?

  5. 0517 de FevereiroA caverna: sombras, esquecimento e sonho da separação

    Paulo Borges

    Conhecimento e esquecimento na cultura grega. O ser humano como “sonho de uma sombra” em Píndaro e a alegoria da Caverna em Platão. O regresso de Ulisses à pátria e o regresso da consciência a si, superando o canto sedutor das sereias.

    Daniela Velho

    As cavernas internas: sonhos antigos que confundimos com verdade

    Crenças antigas, imagens de si, formas de protecção, vergonhas, fidelidades invisíveis e histórias repetidas, reconhecidas com lucidez e compaixão.

    Que sombra tenho tomado por realidade?

  6. 0624 de MarçoA vida como teatro onírico: personagem, máscara e representação

    Paulo Borges

    A pessoa como máscara, prosopon, persona e personagem teatral na cultura clássica greco-romana. A vida como teatro onírico na literatura ocidental: Calderón de la Barca, Shakespeare e Cervantes.

    Daniela Velho

    As personagens sonhadas: quem entra em cena dentro de nós?

    A proposta não é rejeitar as personagens internas, mas reconhecê-las com lucidez e compaixão. Quando uma personagem se torna rígida, deixa de ser expressão e passa a ser prisão.

    Que personagem tenho sonhado ser?

  7. 0721 de AbrilSonho acordado, poesia e criação da realidade

    Paulo Borges

    A vida como bailado carnavalesco, sonho e ilusão em Teixeira de Pascoaes. A vida como sonho acordado e criativo em Bernardo Soares. O “nada que é tudo” em Agostinho da Silva. Exercício de presença criativa.

    Daniela Velho

    Sonhar a vida: criatividade, visão e responsabilidade interior

    Reconhecer como participamos no sonho da vida: através da atenção que oferecemos, das imagens que alimentamos, dos gestos que repetimos e das escolhas que vão dando forma ao nosso caminho.

    Que sonho quero alimentar com a minha atenção, os meus gestos e as minhas escolhas?

  8. 0826 de MaioNeurociência, percepção e sonho construído

    Paulo Borges

    Percepção, ilusão e sonho lúcido na neurociência e na filosofia da mente contemporânea: Stephen LaBerge, Donald Hoffman, Evan Thompson e Thomas Metzinger. As possibilidades lúdicas, terapêuticas e espirituais do sonho lúcido.

    Daniela Velho

    O corpo que sonha o mundo: percepção, emoção e realidade sentida

    Não vemos o mundo apenas com os olhos. Vemo-lo através do corpo inteiro: respiração, memória, emoção, sistema nervoso e estados internos que moldam a percepção.

    Que mundo o meu corpo está a sonhar neste momento?

  9. 0923 de JunhoSonho, morte e despertar: viver com lucidez no limiar

    Paulo Borges

    A filosofia dos seis bardos, estados intermediários, no budismo tibetano: vida, sonho, meditação, momento da morte, realidade e devir. A possibilidade sempre presente do Despertar.

    Daniela Velho

    Morrer dentro do sonho: desidentificação, liberdade e amor pela impermanência

    A prática da lucidez (no sonho nocturno, na meditação e na vida quotidiana) torna-se uma preparação íntima para reconhecer transições, perdas, mudanças de identidade, limiares e pequenas mortes.

    O que pode morrer em mim para que eu viva mais desperta dentro do sonho?

  10. 1014 de JulhoIntegração final: despertar dentro do sonho da vida

    Um encontro para integrar o percurso vivido, reconhecer o que foi sendo descoberto e partilhar experiências, ressonâncias e transformações que surgiram ao longo dos meses.

    Como quero continuar a viver este reconhecimento na minha vida?

O que inclui

  • Um encontro mensal ao vivo, online, para cada módulo
  • Gravações dos encontros, guardadas no Espaço Visão Pura para revisão futura
  • Materiais de apoio em PDF para cada módulo, com propostas de reflexão, contemplação, escrita e investigação interior
  • Práticas reflexivas ou meditativas guiadas para aprofundar cada módulo
  • Grupo de partilha, perguntas e integração entre participantes ao longo do curso